Ser mãe em NY

Feliz dia das mães atrasado para todas as leitoras mamães desse blog! (comecei a escrever no dia das mães, mas só acabei hoje, sorry!)
Ah, ser mãe não é uma tarefa fácil não, e pela minha experiência, a parte mais difícil e delicada dessa jornada, sem dúvidas, é a educação. Como é difícil tentar fazer o certo, saber se o que julgamos ser o certo, realmente é a melhor opção e quais as consequências futuras, mas tenho certeza que a todo momento estamos sinceramente tentando acertar e fazer o melhor.
O cenário que sempre me imaginei mãe, foi no Brasil. Sonhei em ver meus filhos frequentando a casa dos avós nos almoços de domingo, arrumando a mala deles e o porta – malas do carro para passar o final de semana na praia, com os amigos e uma cervejinha gelada, deixá-los brincando lá embaixo com os amigos do prédio, passar a manhã de sábado na piscina, chegar do trabalho e encontra-los prontos para jantarmos, porque alguém já teria feito a parte chata de arrumar a casa, cozinhar, e organizar a bagunça. Assim poderíamos, antes de dormir, contar historinhas sem a pressa de depois ter que ir arrumar as coisas (louça suja, roupa suja e etc) para não acumular pro dia seguinte, e ainda conseguir dormir cedo para não ficar um zumbi no dia seguinte. Também sonhava em ver meus filhos com um uniforme das escolas que eu admirava na minha infância, encadernar seus livros e conversar com o “tio da perua” que viria trazê-los em casa todos os dias. Ter direito a fila especial quando grávida no banco, supermercado, e ter o parto em um hospital confortável, com quarto privativo, e enfeitezinho de maternidade na porta, cheia de cuidados e bom atendimento, e companhia durante a noite inteira.
Aconteceu que fui mãe, como eu sonhava, mas com um cenário completamente oposto. Não vamos na casa dos avós almoçar, eles só se encontram no máximo 2 x ao ano, e perdem a maioria de suas gracinhas. A praia é só de avião, ou então de trem, sem direito a porta malas cheio, com direito a agua gelada, que nem consigo entrar para um mergulho, nem cervejinha gelada olhando pro mar. Nada de ajudante diariamente, arrumo a cozinha, faço o jantar, dou banho, arrumo o banheiro, arrumo o quarto, lavo roupa, durmo tarde e acordo cedo. Todo dia escolho uma roupa para ela ir a escola, onde ela vai de bicicleta com o pai, todos os dias. Se o trajeto é feito de carrinho, é no braço que carregamos escadas abaixo. A gravidez ou bebê de colo não me dá preferência em nada, a não ser no metrô que algumas pessoas oferecem seu lugar para eu me sentar. O parto foi em hospital com quarto dividido, atendimento que deixa muito a desejar, e sem companhia durante a noite, pois no quarto dividido isso não é permitido.
Como estou fazendo o exercício de ficar feliz onde estiver, me desapegar das minha idealizações e esperar que tudo saia como imaginei, tenho que dizer que ser mãe em NY é também poder andar com seu filho sem a preocupação em cada esquina que alguém poderá te assaltar, levar seu carro com seu filho dentro ou ele levar um tiro de bala perdida. É poder dar uma qualidade de vida melhor, com tantas opções de lazer gratuita na cidade, acesso a cultura com muito mais facilidade, possibilidade de conviver com tantas pessoas de culturas diferentes, economizar em escola, já que aqui a escola pública realmente funciona e é boa. É também poder comprar roupas, sapatos e brinquedos sem ferir tanto o orçamento doméstico, poder comprar mais livros, viajar mais barato, e andar a pé pela cidade inteira.
Ser mãe é muito bom, mesmo que você ouça mais de 500 vezes por dia aquela voz que nunca cansa, te chamando “mamaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaae” . Mesmo que seu sono nunca mais seja o mesmo de antes, que vá demorar muito ainda para você consegui ficar na cama até que tenha dois digitos antes dos dois pontinhos do relógio, e que você tenha mais prazer em ir a uma festinha de criança barulhenta do que ir a um barzinho badalado. Só a gente consegue entender como apenas um sorriso, e um “I love you mommy” tem a capacidade de fazer tudo isso ser possível.

Luna pegou essas sacolas de presente que temos em casa, fez um desenho e colocou dentro de cada uma, para me dar de surpresa de presente do dia das mães. Linda…
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8 Responses to Ser mãe em NY

  1. mariana says:

    verdade monica!

  2. Nanda says:

    Só agora consigo entender tudo isso! Ainda não ouvi um”eu te amo” mas os olhinhos do
    Nick falam por ele e me sinto retribuída a cada sorriso mais lindo que ele da!
    Mo, parabéns “atrasado” pelo dia das mães! E não se iluda, aqui no Brasil, as mães tbem tem esse trabalhão todo! Bjs Fe

  3. Ana Maria says:

    Muito fofa a ideia da Luna para te presentear no Dia das Mães.

  4. Simone says:

    Li esse post ao som de “Grão de Amor” dos Tribalhistas, e estava aqui pensando que depois dos filhos a gente entra numa maratona maluca e gostosa, que não tem fim…e aí dá uma saudade de coisas que a gente nem sabe se seriam boas ou não!
    A Luna está um figuraça, linda!!!
    Mil beijos

  5. andrea says:

    sem duvida, ser mae eh maravilhoso. parabens pra vc !
    queria so comentar que acabo de voltar de 1 semana ai em NY e amei. ja tinha ido 1 vez em 97, mas dessa vez fiquei chocada com a pressao para dar gorjetas em todos os lados. se vc nao der o que eles querem, ainda saem xingando. nos restaurantes raramente os garcons vem te perguntar se a comida esta boa, mas na hora de trazer a conta fazem questao de falar que a gorjeta nao esta incluida (fora que ja vem impresso na conta, ne ?). aiii odiei isso ! no ultimo dia ja queria matar o primeiro que me pedisse gorjeta…kkkk
    bjs

  6. Myria Cabanach says:

    Ola Monica,
    sou leitora do teu blog ja faz um tempinho so que nunca tive a oportunidade de comentar.
    Gosto muito do seu jeito alegre de retrarar as coisas do dia-a-dia.
    Decidi comentar hoje porque creio que esse post mais do que os outros me tocou bastante. Também sou mãe, também moro fora do Brasil, e também almejei algumas dessas coisas pra minha pequena, so que a vida nem sempre é como planejamos e acabei aqui, na França!
    Além do mais, também pratico esse mesmo exercicio de ser feliz onde estiver e na verdade não é nada facil! Com o tempo acabei me convencendo de que apesar dos pesares aqui é sim melhor pra criar uma familia, sem medo nem nada.
    Bom, te deixo um abraço e keep writing girl!

  7. Laura says:

    Monica, eu concordo com vc.Eu gosto muito de viver nos EUA, adora a east coast. Porem, criar filhos sem a ajuda da familia e de uma pessoa em casa eh dureza!!As vezes eu penso, que se perde tanto morando aqui nos EUA. E relamente o unico ganho que eu posso ver, e viver sem o medo da violencia. Para a classe media/media alta, a vida no Brasil eh muito mais confortavel. Nao tem como dizer o contrario. Sinto tanta falta de ter mais tempo para o meu marido. Parece que aqui somos muito maes, e pouco esposas.
    Eu sei que o sistema no Brasil nao eh justo, e que nos podemos ter toda essa ajuda , pq tem muita gente que nao tem ajuda nenhuma. Porem….

  8. Giselle says:

    Oi Monica, Oi Luna!
    Acompanho sempre o blog de vocês. E quero convidá-las a participar de dois eventos na PIBBRNY (www.pibbrny.org). Um é pra casais e outro para crianças. Acontecerão ao mesmo tempo mas com programações separadas nos dias 27, 28 e 29 de Maio.
    Tenho certeza que a Luna vai amar conhecer crianças brasileiras que assim como ela nasceram aqui. Ela poderá se relacionar com seu lado “brasileiro” ao fazer amizade com crianças que como ela são bilíngue desde pequeno.
    Assista o vídeo que as crianças fizeram:


    Entre em contato comigo por email se quiser mais informações sobre o processo de inscrição.
    Beijos GRANDES!!!
    Giselle